Depois de prestar vestibular duas vezes na UFPR para o curso de Letras Português e Inglês e não passar, depois de entrar no curso de Design de Moda de uma faculdade particular, estudar um mês e desistir, depois de finalmente passar na UFPR no curso de Letras Português e Italiano, estudar meio semestre, enfrentar uma greve de quatro meses e na volta estudar mais um mês e perceber que não nasci para aquilo. Depois de tudo isso, está decidido, ano que vem vou estudar História em alguma faculdade que "deixei cair meu RG na porta e me ligaram". Não conseguiria voltar a enfrentar os egos inchados de professores-doutores em suas conversas com alunos recém-saídos do ensino médio, e esses sem ficar para trás nas calorosas discussões e eu não entendendo uma palavra sequer daquele falatório rebuscado e sem sentido. Perdoem a ignorância. Indecisão pouca é bobagem, espero me encontrar dessa vez.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Dead Horse
O ano de 2014 está em sua reta final, e eu só tenho o que agradecer. Esse foi o ano mais difícil da minha vida, consequentemente, o que eu mais cresci e aprendi.
Desde que eu e meu noivo tomamos a decisão de começar a construir nossa própria casa em uma área cedida por meus pais na chácara, passamos pelos desafios mais inusitados, que nem ouso listar, mas posso dar um exemplo: um cavalo morto na frente de casa, e agora, o que fazer?
Foi uma decisão daquelas que tomamos por impulso meio que sem medir as consequências. Começar uma casa sem grana, apenas com a coragem, comprando material aos poucos no cartão de crédito, fazendo o trabalho todo sozinhos, só nós dois. Depois tivemos alguma ajuda dos pais dele, emprestando crédito e um bom tanto de mão de obra com suas próprias mãos. A casa ainda não está terminada, mas a meta é que até janeiro já possamos nos mudar.
Passei por momentos em que queria desistir de tudo, negociar com meus pais o que já tínhamos feito e simplesmente sumir no mundo sem olhar para trás. Em outros momentos sentia que ali era o meu lugar no mundo, e que nunca mais sairia dali.
Chorei compulsivamente soluçando sem conseguir enxergar a solução em alguns momentos. Nessas horas meu noivo estava ali e dizia que iríamos conseguir. Outras horas ele é que ficava apático, sem chorar na minha frente, mas sabia que ele ia dar uma volta lá fora só para eu não o ver. Nessas horas eu falava que ficaria tudo bem.
Teve outros momentos, ao olhar para o céu à noite, que não conseguia sentir mais nada além de uma profunda gratidão pelo simples fato de possuir vida, de existir, de contemplar e de ter a oportunidade de passar por tudo isso.
De todos os problemas que tive, quero apenas citar o oposto:
Comecei um blog, algo que sempre tive vontade de fazer, mas nunca tomei a iniciativa.
Conheci e comecei a interagir com pessoas incríveis na internet, isso foi simplesmente fantástico.
Devorei mais livros que meu normal para saciar minha fome ansiosa.
Percebi que amizade é algo que existe.
Apesar de muito cansada, física e mentalmente, me sinto mais forte do que nunca.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Pensamentos perdidos
Arrumando minha gaveta hoje encontrei esses rabiscos perdidos. Não lembro em quais circunstâncias escrevi isso, mas lendo agora não achei tão ruim...
Dançando a suave canção
Que me faz descer as escadas assobiando
Penso se agora serei capaz de suportar a pena
De não ter mais a mim mesma
Não sei nem mesmo em qual dia fiquei
Em qual história dormi
Em qual sonho...
Só me resta seus braços, Oh, doce...
Gostaria de rever seu sorriso uma última vez
Antes de lembrar que nem mesmo o conheci.
São nesses momentos que minh'Alma grita
E cala. De novo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Petição contra Julien Blanc
Já faz um tempo que ando lendo sobre feminismo, sobre o papel da mulher na sociedade ao longo da história, além de assuntos relacionados à sacralidade feminina, natural no passado mas repleto de névoas no presente. Tudo isso para me entender como mulher, como pessoa, como cidadã, para tentar entender meu papel nesse mundo, enfim, melhorar a mim mesma, evoluir o espírito através do conhecimento e de alguma forma, tentar melhorar o meio em que vivo.
Nesta minha fase de busca, me deparei ontem enquanto jantava com a tv ligada em um jornal, a uma reportagem sobre um rapaz chamado Julien Blanc que fala em palestras pelo mundo sobre como "pegar" mulheres. As "técnicas" utilizadas são à base da força, sem o mínimo de respeito, chegando ao absurdo de segurar uma mulher que ele acabou de "conhecer" pela cabeça e levá-la em direção ao seu pênis. Em um vídeo gravado em uma de suas palestras, em inglês sem legenda, tentei me esforçar mas infelizmente não consegui entender cem por cento das bobagens ditas, mas o que consegui entender já deu para sacar qual que é a do cara.
O fato é que ele quer vir dar aulas no Brasil em uma conferência em janeiro de 2015 no Rio e em Floripa. Então está rolando uma petição para impedir a liberação de visto para permanência em território brasileiro. Eu já assinei e o link para quem tiver vontade de fazer o mesmo é o seguinte:
https://secure.avaaz.org/po/petition/Policia_Federal_Brasileira_Explusao_de_Julien_Blance/?preview=live
Pensei bastante a respeito e tentei entender o que acontece com pessoas como ele que se acham no direito de agir desta forma, e fui além, pensei nas pessoas que pagam ou pagarão para ouvir tanta merda, para eles as palavras serão como ouro... Dá uma tristeza enorme e uma revolta maior ainda, por isso torço para que ele seja impedido de colocar os pés aqui, que ele saiba que suas palavras e "técnicas" não são bem-vindas e que ele tenha uma punição de alguma forma por incitar ainda mais a violência contra a mulher que já é um mal enraizado no mundo todo.
Update: Sugiro que se alguém quiser assinar a petição também, pesquise antes sobre a pessoa, o site, e se sentir que isso vai ajudar de alguma forma, assine. Senão, ao menos reflita sobre a questão. Eu não entendo de leis, não sei se é possível impedir assim de alguém entrar no país, mas me senti na obrigação de falar sobre isso, de (tentar) expressar o que penso sobre o assunto. Às vezes tenho medo de cair como patinho em armadilhas criadas a partir de assuntos tão importantes usados como isca, apenas para outros fin$. Espero que não seja este o caso.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Juca
Meu pai e minha mãe há alguns anos eram como os Dj's da época deles, faziam o som e as "playlists" nas festas das igrejas na redondeza da cidade, principalmente nas igrejas do interior. Acho que meu amor pela música deve ter começado ali, no meio das músicas caipiras, vanerão, gauchesco, tudo rolando no toca-discos que era ligado no sistema de som que saía nas cornetas amarradas em postes altos para mandar as músicas para cada cantinho do pátio em volta das igrejas.
Antes dos meus pais se casarem, meu pai junto com meu avô fazia a alegria dos bailes de casamento. Os dois tocavam gaita, como chamamos por aqui no sul, em outros lugares do país chamam o instrumento de acordeon. Além disso, apaixonado pela música caipira, meu pai desde os tempos de solteiro fez programas para rádios AM, sempre incentivando novos talentos, alguns tão novos que mal conseguem segurar a viola.
Mas a música nunca foi o ganha pão do meu pai, sempre foi apenas hobby. Depois de sair da roça, ele foi para cidade abrir seu próprio comércio, onde está até hoje, quarenta anos depois. Ele começou fazendo seu próprio aparelho de rádio, isso mesmo, com algumas peças vindas do curso por correspondência ele montou sozinho seu primeiro rádio. Então começou a consertar os rádios que eram a única opção de entretenimento da época (pelo menos ali na região onde ele morava) e montou sua oficina.
Esses anos todos lidando com essa paixão pela música renderam muitas histórias que nunca canso de ouvir, e quando penso que já ouvi todas, felizmente em alguma tarde de domingo na hora do café, me surpreendo com algum novo causo. Adoro quando isso acontece.
Antes dos meus pais se casarem, meu pai junto com meu avô fazia a alegria dos bailes de casamento. Os dois tocavam gaita, como chamamos por aqui no sul, em outros lugares do país chamam o instrumento de acordeon. Além disso, apaixonado pela música caipira, meu pai desde os tempos de solteiro fez programas para rádios AM, sempre incentivando novos talentos, alguns tão novos que mal conseguem segurar a viola.
Mas a música nunca foi o ganha pão do meu pai, sempre foi apenas hobby. Depois de sair da roça, ele foi para cidade abrir seu próprio comércio, onde está até hoje, quarenta anos depois. Ele começou fazendo seu próprio aparelho de rádio, isso mesmo, com algumas peças vindas do curso por correspondência ele montou sozinho seu primeiro rádio. Então começou a consertar os rádios que eram a única opção de entretenimento da época (pelo menos ali na região onde ele morava) e montou sua oficina.
Esses anos todos lidando com essa paixão pela música renderam muitas histórias que nunca canso de ouvir, e quando penso que já ouvi todas, felizmente em alguma tarde de domingo na hora do café, me surpreendo com algum novo causo. Adoro quando isso acontece.
Essa é a música de abertura do programa do meu pai no rádio.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Dreamer, you stupid little dreamer
Na minha casa sempre teve muitos, muitos discos de vinil. Alguns eram bons outros nem tanto. Mas o mais legal era ir procurando nos montes de discos espalhados pela casa algum que tivesse um nome ou uma capa legal, então eu colocava o disco para tocar e descobria se era bom ou não... E foi assim que eu descobri uma banda que eu gosto até hoje... Na verdade foi muito ao acaso, primeiro encontrei uma capa de disco sem nenhum disco dentro e sem nada escrito na capa, tinha apenas uma ilustração muito hippie de um carrinho que soltava flores pelo escapamento. Depois achei um vinil sem capa escrito "Crisis? What crisis?" então deduzi que aquele disco sem capa pertencia àquela capa sem disco. Mas não. Depois descobri que não tinha nada a ver. Mas combinou, então tudo bem. Depois descobri que aquele título não era o nome da banda, e sim o nome do álbum. A banda se chamava Supertramp, o estilo era rock progressivo e eu uma nova admiradora.
E daí que vai ter show do vocalista, Roger Hodgson aqui na minha cidade hoje e eu não tenho grana. Participei de uma promoção da rádio rock mas como não tenho sorte para essas coisas, resolvi fazer um post com minha música preferida para a ocasião não passar em branco.
*Tentei achar o disco e a capa para ilustrar a estorinha, mas como minhas coisas estão encaixotadas, não consegui encontrar, vai uma do google mesmo.
*Tentei achar o disco e a capa para ilustrar a estorinha, mas como minhas coisas estão encaixotadas, não consegui encontrar, vai uma do google mesmo.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Paperback Writer
Teve um momento da minha vida em que eu percebi que escrever era libertador. Desde então comecei a colecionar cadernos e mais cadernos com escritos - nunca gostei de escrever no computador e continuo não gostando, por isso o blog para mim é um desafio que às vezes tem as próprias regras quebradas por copiar algo que já escrevi no caderno.
Fui influenciada parte por minha irmã que tinha e acredito que ainda deve ter o mesmo hábito e também por um carinha que um dia me mostrou o texto que tinha escrito para o colégio narrando uma batalha medieval. Aquele texto me fez querer chegar em casa e fazer algo tão bom quanto... E foi o que eu fiz, não sei se ficou tão bom, mas eu escrevi e vi que a caneta fluía enquanto meus ouvidos absorviam alguma banda de heavy metal melódico, provavelmente Nightwish.
Naquela época gostava de colocar tudo para fora em forma de historinhas (contos? não sei) sempre com tema medieval, a época mais romântica e sombria, perfeita para imaginação voar...
Há pouco tempo, desde que eu terminei minhas aulas de inglês, retomei a escrita em forma de diarinho mesmo, falando o que eu fiz no dia, só para treinar um pouco.
Não tenho coragem de jogá-los fora porque a cada vez que releio lembro como a "eu" do passado sempre tem algo a ensinar para a "eu" do presente.
Não tenho coragem de jogá-los fora porque a cada vez que releio lembro como a "eu" do passado sempre tem algo a ensinar para a "eu" do presente.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra
A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra
Robin Sloan
Trata-se de um jovem ligado em Tecnologia (e qual não é??) que consegue um emprego de atendente em uma livraria. Porém, essa livraria não era nada parecida com as outras...
Tinha pouquíssimos clientes, e uns mais estranhos que outros...além de claro, estranhamente, abrir 24 horas. O garoto é suficientemente inteligente para perceber que se trata de algo além da simples venda de livros. A história se desenrola e prende sua atenção; tanto que a gente se irrita quando tem que parar de ler. Para falar a verdade, as únicas coisas chatas da história são as explicações e diálogos tecnológicos...pois não gosto muito. Todavia, ela é bem importante para a história, então se torna até interessante...e é um mundo em que eu prefiro não me aventurar...
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
War Pigs
Sei que jogar santinhos na véspera de eleição é uma realidade infelizmente comum, mas nunca imaginei que veria essa cena. Jogar santinhos numa área de mata virgem preservada, num lugar onde não existe coleta de lixo, quem dirá varredores de rua, para quê? Para as árvores escolherem seus candidatos? Ah, se elas pudessem escolher...
O pior de tudo é que os dois foram eleitos...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Hello me, It's me again
Por que sempre da vontade de ficar em casa dormindo quando o dia amanhece com chuva?
Por que o canto do sabiá me traz nostalgia?
Por que a preocupação de ontem é mais bonita e motivadora do que a preocupação de hoje que vira dor de estômago?
E whatahell fico tão preocupada com coisas que apenas são?
Foto: Google
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
I wish
Alguns dizem que uma oportunidade única pode passar por nossos olhos a qualquer momento. Espero ter Sabedoria para entender este momento, para fazer alguma coisa que mude minha realidade atual para algo melhor. Outros dizem que apenas nós mesmos somos responsáveis pelo nosso destino, se não fizermos nada para mudar, então ficaremos estagnados. Espero ter Força para fazer acontecer, tirar as metas do papel, construir algo do qual me orgulhe. Há ainda outros que dizem que pode ser mais fácil, dependendo das suas relações, de estar "no lugar certo, na hora certa". Espero sempre ter Honra para aceitar apenas o que for justo para mim.
E que aquilo que realmente for importante não me escape aos olhos e ao coração. Que os pequenos detalhes nunca passem despercebidos.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
J.R.R. Tolkien
Por acaso, hoje descobri que no dia 02 de setembro de 1973, faleceu um dos melhores escritores de todos os tempos: John Ronald Reuel Tolkien. Além de escritor, Tolkien também foi professor universitário e deixou muitas obras, entre as mais famosas, O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Pesquisando um pouco sobre ele na internet, encontrei uma entrevista feita em 1961, e foi muito legal conhecer um pouquinho sobre a criação dessas estórias e claro, ouvir a voz dele por vezes interrompida pelo seu cachimbo. Fiquei pensando o quão incrível seria conviver com ele, ouvir suas histórias a noite, em volta da lareira...aiai...
A entrevista pode ser conferida AQUI.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Dancing under the moonlight
E porque ela gostava de dançar, saiu rodopiando nas pontas dos pés até alcançar o final do caminho que levava ao seu lugar no mundo.
Seu vestido rendado acabara de pousar ao longo das pernas quase alcançando o chão.
As estrelas estavam mais brilhantes que o normal, e parecia que ninguém a enxergaria alí, pois a noite já ia longe.
Ainda havia luzes naquela casa ao pé da colina. Aquela casa em que uma réplica em miniatura guardava os brinquedos das crianças, mas era distante o suficiente para sua forma não passar de uma sombra.
Esticou os braços para o alto - um dia alcançaria a lua, estava quase na fase perfeita - e deitou na grama, exausta.
Naquela noite os elfos dançaram ao redor dela e fizeram um piquenique perto do último cacho do seu cabelo. Ela escutou as músicas, mas quando acordou com o rosto úmido de orvalho, achou que foi um sonho.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Eu tenho psioríase
O blog foi criado para eu me esforçar em procurar, ou fazer coisas legais para me distrair dos meus problemas. Nem que eu não tenha milhões de visualizações, mas apenas para eu mesma prestar um pouco mais de atenção nas coisas boas da vida. Por isso, tento pelo menos evitar falar de coisas ruins, ou reclamar nesse cantinho. Mas ontem vi esse vídeo no youtube e tomei a decisão de falar sobre minha doença por aqui também, não em forma de lamentos,e sim tentar falar de uma forma leve. Achei tão legal que o Gabriel Oliveira falou de uma coisa tão chata de uma forma tão engraçada, claro que não tenho esse "dom do humor" que ele tem, mas quero que fique claro que não vou chorar pitangas, apenas falar um pouco sobre como me sinto sobre isso.
Psioríase é uma doença na pele, que quando "ataca" faz algumas áreas descamarem, e ficar com um aspecto esbranquiçado. Pode aparecer em algumas áreas do corpo bem específicas, como joelhos, cotovelos e pés, às vezes no couro cabeludo ou dependendo do caso pode aparecer no corpo todo. Geralmente desenvolve na fase adulta das pessoas, e não há ao certo uma explicação do motivo do aparecimento da doença, mas muitos médicos afirmam ter origem psicológica, que é ocasionado pelo stress. É uma doença crônica, não tem cura, apenas tratamento. NÃO É CONTAGIOSA.
No meu caso, essas lesões aparecem nas mãos, nos pés, nos joelhos e cotovelos. E as lesões começaram a aparecer quando eu era criança, o que não é comum, eu tinha uns quatro ou cinco anos. Talvez isso tenha sido bom, pois eu "me acostumei" com o problema. Porém, claro que foi difícil em algumas ocasiões, tive vergonha em vários momentos da minha vida, mas a doença em si não incomoda nem um pouco, o que incomoda é a reação das pessoas ao perceberem que há algo diferente em mim que elas não conhecem, então, sem cerimônia perguntam o que vem na cabeça, sem medo de magoar. E as perguntas sempre são as mesmas:
- O que você fez nas mãos?
Não fiz nada, nasci assim - É psioríase, você sabe o que é? - Claro que não sabe, pela cara de meu-deus-você-é-um-monstro.
- Não! Psio o quê?
Lá vamos nós de novo - Psioríase é uma doença que bláblábláblá...
- E isso dói?
Dói sua falta de sensibilidade em permanecer nesse assunto. - Não, não dói.
- E coça?
- Não, não coça.
- ... - E isso vai passar pra mim pela respiração será? Ou será que vai passar se eu encostar em você?
- Não se preocupe, isso não é contagioso, talvez meus filhos tenham mais chance de desenvolver a doença, mas você não vai pegar.
- Que isso, eu sei, não perguntei isso.
- ... - Sei.
A conversa continua, perguntando se tem cura, se não é alergia mesmo, ou se eu já tentei usar o remédio X que a irmã postiça da sua prima que tinha uma alergia tinha usado e foi realmente muito bom. Às vezes, quando estou sem saco, apenas respondo que é alergia. Assim, na cara dura. Minto mesmo, que diferença vai fazer na vida delas saber se é alergia mesmo, ou uma doença sem cura? Nenhuma diferença.
Bom, o que prometi no começo do post não consegui cumprir, lembra - sem chorar pitangas, ser leve ao falar sobre isso?
Ta, tudo bem. Agora que já falei a parte chata, quero deixar claro que isso é apenas um problema estético para mim. Não me causa dor, não vou morrer disso. É apenas parte de mim, de quem eu sou. Às vezes acho tão chato ter esse problema, quanto acho chato meu cabelo ser cacheado. Apenas isso. Nesses dias faço uma escova, passo um leave-in que descobri que funciona, me besunto de creme hidrante, principalmente nas mãos, pés, joelhos e cotovelos, tomo um monte de água e voilà, me sinto a pessoa mais bonita do mundo.
Penso que sem essa doença, eu poderia ser muito diferente. Uma pessoa à toa, que não gosta muito de pensar antes de falar algo que possa magoar. Uma pessoa que prefere músculos do sexo oposto à uma conversa interessante. Tenho minhas opiniões, minhas buscas, meus questionamentos, em parte por ter sido um pouco reclusa durante minha infância e adolescência e preferir na maioria das vezes a companhia de livros à das pessoas. Mas como disse antes, isso faz parte de mim, do que sou hoje, então, não pode ser assim tão ruim.
Psioríase é uma doença na pele, que quando "ataca" faz algumas áreas descamarem, e ficar com um aspecto esbranquiçado. Pode aparecer em algumas áreas do corpo bem específicas, como joelhos, cotovelos e pés, às vezes no couro cabeludo ou dependendo do caso pode aparecer no corpo todo. Geralmente desenvolve na fase adulta das pessoas, e não há ao certo uma explicação do motivo do aparecimento da doença, mas muitos médicos afirmam ter origem psicológica, que é ocasionado pelo stress. É uma doença crônica, não tem cura, apenas tratamento. NÃO É CONTAGIOSA.
No meu caso, essas lesões aparecem nas mãos, nos pés, nos joelhos e cotovelos. E as lesões começaram a aparecer quando eu era criança, o que não é comum, eu tinha uns quatro ou cinco anos. Talvez isso tenha sido bom, pois eu "me acostumei" com o problema. Porém, claro que foi difícil em algumas ocasiões, tive vergonha em vários momentos da minha vida, mas a doença em si não incomoda nem um pouco, o que incomoda é a reação das pessoas ao perceberem que há algo diferente em mim que elas não conhecem, então, sem cerimônia perguntam o que vem na cabeça, sem medo de magoar. E as perguntas sempre são as mesmas:
- O que você fez nas mãos?
Não fiz nada, nasci assim - É psioríase, você sabe o que é? - Claro que não sabe, pela cara de meu-deus-você-é-um-monstro.
- Não! Psio o quê?
Lá vamos nós de novo - Psioríase é uma doença que bláblábláblá...
- E isso dói?
Dói sua falta de sensibilidade em permanecer nesse assunto. - Não, não dói.
- E coça?
- Não, não coça.
- ... - E isso vai passar pra mim pela respiração será? Ou será que vai passar se eu encostar em você?
- Não se preocupe, isso não é contagioso, talvez meus filhos tenham mais chance de desenvolver a doença, mas você não vai pegar.
- Que isso, eu sei, não perguntei isso.
- ... - Sei.
A conversa continua, perguntando se tem cura, se não é alergia mesmo, ou se eu já tentei usar o remédio X que a irmã postiça da sua prima que tinha uma alergia tinha usado e foi realmente muito bom. Às vezes, quando estou sem saco, apenas respondo que é alergia. Assim, na cara dura. Minto mesmo, que diferença vai fazer na vida delas saber se é alergia mesmo, ou uma doença sem cura? Nenhuma diferença.
Bom, o que prometi no começo do post não consegui cumprir, lembra - sem chorar pitangas, ser leve ao falar sobre isso?
Ta, tudo bem. Agora que já falei a parte chata, quero deixar claro que isso é apenas um problema estético para mim. Não me causa dor, não vou morrer disso. É apenas parte de mim, de quem eu sou. Às vezes acho tão chato ter esse problema, quanto acho chato meu cabelo ser cacheado. Apenas isso. Nesses dias faço uma escova, passo um leave-in que descobri que funciona, me besunto de creme hidrante, principalmente nas mãos, pés, joelhos e cotovelos, tomo um monte de água e voilà, me sinto a pessoa mais bonita do mundo.
Penso que sem essa doença, eu poderia ser muito diferente. Uma pessoa à toa, que não gosta muito de pensar antes de falar algo que possa magoar. Uma pessoa que prefere músculos do sexo oposto à uma conversa interessante. Tenho minhas opiniões, minhas buscas, meus questionamentos, em parte por ter sido um pouco reclusa durante minha infância e adolescência e preferir na maioria das vezes a companhia de livros à das pessoas. Mas como disse antes, isso faz parte de mim, do que sou hoje, então, não pode ser assim tão ruim.
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Home, boy...Everybody needs a home!
Não sou de dar muita bola para previsões de signos e coisas do tipo, na verdade nem sei se acredito ou não. Acredito que as pessoas que nasceram na mesma época do ano tem características de personalidade parecidas, mas a questão de previsão que tem em jornais já é uma outra história.
O fato é que sou canceriana, e o que falam sobre nós que nascemos em final de junho, começo de julho sempre bateu com minha personalidade. Mas o que mais se encaixa para mim é o fato de eu ser caseira.
Adoro ter minhas coisinhas organizadas, ficar de boa no sábado a noite vendo filme, me aconchegar com uma bebida quente e coisas do tipo.
Aí que entra o drama: saí da casa dos meus pais muito cedo e desde então não tive mais um lugar para chamar de meu. Minhas coisas estão sempre encaixotadas, ou guardadas quase sem espaço no guarda-roupas. Fico babando com blogs sobre decoração, ou os blogs pessoais de pessoas que admiro o estilo e fico só imaginando quando chegar a minha hora de organizar as prateleiras, onde vou guardar a coleção de xícaras e de que forma os quadros vão ficar melhor alinhados...
Enquanto isso, haja paciência e vontade de fazer o tempo correr...
Foto
segunda-feira, 12 de maio de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
"We can be us just for one day"
Um universo guardado em um pequeno espaço, pedindo para virar realidade. Trancado por correntes - somente os olhos que refletem no espelho conseguem perceber.
Tenta alcançar o chão, para então flexionar os joelhos e voar. Às vezes quando abre a boca, uma estrela escapa e sai voando, e quando olha para o lado, percebe milhões de pessoas que também caladas, juntam seus soluços pelo ar.
E quando caminha com cuidado, percebendo quantos apressados cortam sua sombra, sempre lembra de alguma canção que não toca mais nas rádios mas já fez mover seus pés uma vez em algum lugar do tempo.
Tenta alcançar o chão, para então flexionar os joelhos e voar. Às vezes quando abre a boca, uma estrela escapa e sai voando, e quando olha para o lado, percebe milhões de pessoas que também caladas, juntam seus soluços pelo ar.
E quando caminha com cuidado, percebendo quantos apressados cortam sua sombra, sempre lembra de alguma canção que não toca mais nas rádios mas já fez mover seus pés uma vez em algum lugar do tempo.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Indian Summer
Eles estavam em três, dois homens - um mais velho que o outro, talvez fosse o pai, pois eram parecidos - e uma mulher, a única que não tinha o rosto pintado.
Estavam sentados discretamente em um banco da Rua XV. Ao lado deles havia um equipamento de som ligado precariamente em um fio comprido que saía de alguma das lojas. Estava tocando alguma música instrumental em um volume baixo.
O homem mais novo estava dedilhando um instrumento de cordas muito peculiar de uma forma que não parecia que ele estava tentando tocar alguma música, apenas tentava consertar alguma coisa no instrumento.
E sem comunicação alguma entre os três, começou uma agitação - começavam a preparação do ambiente para a próxima apresentação.
O mais novo vestiu suas roupas cheias de penas longas e coloridas sobre a calça jeans e a camisa de botões. O mais velho apenas vestiu seu cocar maior - como os antigos chefes costumavam fazer.
Havia silêncio entre eles - outrora tudo era ritual. Talvez o significado dos gestos repetidos por incontáveis gerações não permitisse que fosse diferente.
Uma melodia triste e suave começou tímida como o vento que chega mansinho em um fim de tarde fazendo a cortina balançar um pouco para logo após repousar na janela de novo. Então silêncio.
O aparelho de som ligado agora em um volume alto faz os auto-falantes chiarem com as primeiras notas de Imagine do John Lennon em versão instrumental. O som da flauta volta então em momentos perdidos da música como uma criança pedindo atenção.
A mulher fazia a parte dela, tentando abordar as pessoas que passavam apressadas e que mal percebiam a sua presença. "Compra um CD moça?". Antes do final da música, percebendo a falta de interesse dos possíveis compradores, voltou a sentar no banco e a tomar sua coca-cola.
Estavam sentados discretamente em um banco da Rua XV. Ao lado deles havia um equipamento de som ligado precariamente em um fio comprido que saía de alguma das lojas. Estava tocando alguma música instrumental em um volume baixo.
O homem mais novo estava dedilhando um instrumento de cordas muito peculiar de uma forma que não parecia que ele estava tentando tocar alguma música, apenas tentava consertar alguma coisa no instrumento.
E sem comunicação alguma entre os três, começou uma agitação - começavam a preparação do ambiente para a próxima apresentação.
O mais novo vestiu suas roupas cheias de penas longas e coloridas sobre a calça jeans e a camisa de botões. O mais velho apenas vestiu seu cocar maior - como os antigos chefes costumavam fazer.
Havia silêncio entre eles - outrora tudo era ritual. Talvez o significado dos gestos repetidos por incontáveis gerações não permitisse que fosse diferente.
Uma melodia triste e suave começou tímida como o vento que chega mansinho em um fim de tarde fazendo a cortina balançar um pouco para logo após repousar na janela de novo. Então silêncio.
O aparelho de som ligado agora em um volume alto faz os auto-falantes chiarem com as primeiras notas de Imagine do John Lennon em versão instrumental. O som da flauta volta então em momentos perdidos da música como uma criança pedindo atenção.
A mulher fazia a parte dela, tentando abordar as pessoas que passavam apressadas e que mal percebiam a sua presença. "Compra um CD moça?". Antes do final da música, percebendo a falta de interesse dos possíveis compradores, voltou a sentar no banco e a tomar sua coca-cola.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A Secret Place
O escuro já não me assusta mais. Pode vir, venha sem medo, o hálito fresco da noite nos guiará os sentidos...
Segure na minha mão como você costumava fazer, deixando meus dedos escorregarem até sobrar apenas um que você enlaçava para não mais soltar.
A lua está alta e iluminará o caminho até o nosso lugar, será que ele ainda existe? Penso que sim, pois nós ainda existimos...
foto: we♥it
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