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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mona Monalisa

O que aconteceria se seu artista favorito fosse alguém da sua família? Sabe aquela pessoa que você não pode esperar pelo próximo trabalho? O próximo filme daquele ator, as próximas fotos daquela garota talentosa que você acabou de descobrir a página na internet e ficou viciada, o próximo livro do autor daquela série perfeita. O próximo conto da sua irmã...

Sim, minha irmã é uma das escritoras mais incríveis que já conheci (e convivi há). Desde as curtas histórias infantis criadas às pressas para alguma das crianças da família (inclusive eu quando pertencia à esse grupo) até os mais profundos e obscuros contos com finais surpreendentes. Tudo é escrito de forma única.

Lembro muito bem da época em que ela ia à biblioteca fazer trabalhos do colégio (não existia internet como conhecemos hoje) e era a melhor coisa quando ela decidia me levar junto. Enquanto ela ficava ocupada com as pesquisas, eu ficava na seção infantil. Era uma delícia aquele cantinho sempre vazio e cheio de almofadas no chão em que eu me aconchegava com meia dúzia de livros cheios de ilustrações "Deus me livre daqueles livros grossos só com letras sem uma ilustração sequer" Era o que eu costumava pensar.

Depois de sair da biblioteca passávamos na banquinha para comprar um sorvete daqueles que vinha de uma máquina que tinha um recipiente verde e outro cor-de-rosa: você escolhia o sabor. Levávamos também alguns doces de amendoim além de um livro para ela (daqueles grossos e chatos sem figuras) e outros dois para mim. "Por que só nos deixam levar três?" - Mas logo ela me ajudou a fazer minha própria carteirinha e foi aí que minha liberdade começou: Sair de casa sozinha nas férias para ir à biblioteca - era uma aventura!

Bom, voltando ao talento da minha irmã, é uma pena ainda não existir nenhum exemplar com o nome dela naquele lugar  mágico que costumávamos ir...
Mas a cada agenda ou caderno dela que cai em minhas mãos, é um sentimento egoísta que me invade por saber que sou uma das poucas pessoas privilegiadas a ter acesso à esses conteúdos. Por enquanto, afinal talento nenhum suporta ficar guardado por tanto tempo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Rock 'n' Roll High School

E era assim que passava os finais de tarde após o estágio: pegava a bolsa - sempre pesada cheia de livros e cadernos e ia caminhando até o colégio. Passava todos os dias pela casa com o portão bonito e nunca cansava de imaginar a si mesma sentada naquele jardim, sonhando com amores impossíveis de outrora.

Às vezes passava na frente do shopping - um dos maiores da cidade - odiava aquelas pessoas que frequentavam aquele lugar onde tudo era tão caro e só o cheiro que vinha quando por algum motivo chegava a entrar embrulhava o estômago. Mas isso foi até encontrar os garotos da banda que logo a ensinaram um caminho alternativo e muito mais interessante até o colégio.

Chegando na cantina, quando sobrava uns trocados ela pedia esfirra de frango e um copo de chá gelado - o melhor lanche do mundo pois vivia faminta. Quando a amiga que tinha o mesmo nome não havia chegado ainda ela costumava sentar-se em uma das mesinhas perto do planetário. Abria seu livro e entre uma mordida e outra dançava naquele baile de máscaras que a solteirona excêntrica oferecera para a alta sociedade.

Quando o dinheiro faltava, passava na fila do fome-zero (era assim que costumavam chamar a cantina do colégio, pois lá o jantar era free) e o tempinho que sobrava era matado com um gudang na arquibancada que dava para pista de corrida - lá tinha a melhor vista, pois era possível ao mesmo tempo observar as estrelas e o fluxo de carros além dos muros (muralhas) do pátio. Ela costumava imaginar aquele trânsito todo como a corrente sanguínea do mundo e gastava um bom tempo pensando sobre como estaria a vida de cada um atrás daqueles faróis brilhantes.

Até o sinal soar com a urgência histérica que os sinais de escola costumavam ter.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Down on the farm



Muita gente por aí sonha em conhecer outros lugares no mundo. Eu também, meu sonho é conhecer a Irlanda. Mas não é por isso que eu não amo meu país e principalmente, minha cidade. Eu nasci em São José dos Pinhais, uma cidade a mais ou menos meia hora de Curitiba-PR. Há pouco tempo era uma cidade pequena, mas cresceu e está crescendo, assustadoramente. Quando eu estudava em Curitiba, uma vez fizeram um concurso de quem era o mais alguma coisa da turma. Tinha o mais gato, a mais gata, os mais simpáticos e por aí vai. Eu ganhei o título de miss caipira (!) Pois é.  Mas eu gosto disso. Passei boa parte da minha vida estudando, trabalhando e até um tempo morando em Curitiba por isso posso comparar o que é morar numa cidade grande e agora, em um cantinho ainda mais retirado da minha cidade.
Ok, está tudo longe, lojas, shoppings, cinema, panificadora. O carro fica sujo sempre. Mas abrir a janela e ver a Serra do Mar, para mim é uma honra. Sentir-se perto do céu e parte da natureza é algo que aprecio muito. 

Aqui os vizinhos são muito mais simpáticos


foto ruim, mas olhe bem, tem um bichinho aí


As frutas são colhidas do pé



E tem muito mais, com o tempo vou registrando por aqui...

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Árvore do Sonho Azul


A árvore ficava no alto de uma colina. Depois da estrada grande, à direita, havia um caminho menor com florzinhas brancas nos dois lados. No fim da trilha, estava ela. Enorme, linda, antiga e... mágica.
Conta a lenda, que uma fada azul morava ali, há muito tempo atrás. Como se sabe, as fadas cuidam da natureza. Essa fadinha especialmente, gostava tanto de um jovem pinheiro, tanto mesmo,  que chegou a se apaixonar por ele.

Infelizmente, o jovem pinheiro era indiferente à esse amor, pois não compreendia o sentimento da fada. Ao passar do tempo, ela foi ficando mais e mais triste, até que, um dia não tinha mais forças, e não queria mais viver sem o amor do seu querido pinheiro.

O deus da natureza ficou triste e com pena da fadinha... morrer assim, por amor! Então a transformou numa linda árvore, ficando perto do seu amado através das eras em que vivessem...
Essa árvore, na primavera, floresce em muitas flores do azul mais lindo que já se viu... E, quando o vento sopra, as flores vão voando até ficarem presas aos galhos de um certo pinheiro...

E há quem diga, que se você tiver muita fé no que deseja e abraçar com todo o coração a árvore, os seus sonhos se realizam...

Texto de Monalisa Calegalim. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Rabugice

Até agora nada de novo, esta busca incansável por um lugar (literalmente) vezes sufoca, vezes liberta... Não há um meio seguro para estar lá, mas algo dizia que estava quase. Eis a questão, o quase. Não é o sim ou o não, ou o nunca, mas o quem sabe, o quase que me mata e tira o sono. Não está péssimo, não está ótimo. Está bom. Mas já esteve melhor. Vou fazer, só preciso esperar acontecer. Isso ou aquilo. E nada.

"Afinal de contas, o que você quer?"
"Diga-me você, também gostaria de saber."

E assim segue, tateando por todos os lados até poder acender a luz.

sexta-feira, 14 de março de 2014

E foi assim

O ano era 1970, e ele acabara de aceitar a proposta que recebera uma semana antes por uma carta do antigo professor da faculdade. O que ele não contava é que depois de acordar às cinco da manhã para pegar seu voo que sairia às oito horas, ainda teria que esperar por mais duas horas devido a um atraso. Decidiu comprar um livro para passar o tempo. Escolheu o primeiro que viu na prateleira e voltou para seu banco. Começou a ler mas logo entendeu que o livro foi inútil. Não conseguiria sequer passar de uma página inteira. Os olhos dela cheio de lágrimas não saíam do seu pensamento, ela não disse nada além de que ele deveria ir sim, era o melhor a ser feito, uma oportunidade daquelas não aconteceria uma segunda vez.

Ele então fechou o livro e o deixou no banco ao lado. Voltou para casa e a pediu em casamento. Hoje eles moram em uma casa feita de pedras com duas chaminés e flores nas janelas. Tem um pequeno rio que passa nos fundos do jardim e quando tem sol eles costumam ir até lá e ficam até a hora do jantar.

Não sei ao certo o que aconteceu com o livro que ficou esquecido no banco do aeroporto. Até ontem. Numa visita ao sebo, procurando na seção de três reais, um nome me saltou aos olhos e ouvi a voz da minha irmã pronunciando o título. Lembrei dela comentar que era um bom livro. Somente quando cheguei em casa e o abri com cuidado para não rasgar as páginas já gastas e amareladas entendi que a estória escrita nas páginas jamais poderia contar o que realmente o trouxera até ali.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Lá vai o trem

Isso é sobre esse trem louco e desgovernado que assombra a todos pelo menos uma vez. Ele vem à noite um pouco antes de você cair no sono de verdade, meio que sem você perceber ele chega e pronto: está lá com toda pompa, com seu apito o chamando como se fosse um lamento... Você pode acordar, andar até ele e embarcar ou ficar parado olhando o trem passar, ou ainda simplesmente o ignorar e voltar a dormir. Você poderá apanhá-lo um outro dia quem sabe. A viagem poderá ser curta ou não, mas com certeza terá paisagens, outros passageiros talvez interessantes com suas características que bem poderiam servir de bons personagens para um filme e um chiado contínuo que fará lembrar de tempos passados que você gostaria de ter vivido.



Bom, quem sabe se pegar esse trem ou não é uma opção? Pode ser que tudo não passe de um sonho esquisito, afinal você estava apenas tentando dormir quando ele apareceu...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Bolinha de sabão



Era uma vez uma linda menina que estava entediada sem nada para fazer em casa. Então ela encontrou no seu jardim uma pequena garrafa. Curiosa para saber o que era, abriu e sentiu um aroma muito gostoso de flores, e presa à tampa da garrafinha, tinha uma espécie de arco. 

A menininha assoprou o arco por curiosidade e para sua surpresa uma enorme e colorida bolha de sabão saiu voando até estourar no seu nariz. Ela riu e saiu andando por aí seguindo as bolinhas que saíam da misteriosa garrafa. 



O que ela não havia percebido, é que aquelas bolhas eram mágicas e a fizeram perder a noção do tempo. Foi quando ela escutou ao longe uma música muito alegre que ela percebeu que estava em um bosque em que nunca estivera antes.


Mas ela não ficou com medo, pois logo um cogumelo muito diferente chamou sua atenção e quando ela foi olhar mais perto percebeu que embaixo dele havia um homenzinho minúsculo de bigode pontudo como de um gato, uma grande barriga e um chapéu marrom pontudo muito gasto, mas os sapatos vermelhos estavam impecáveis e brilhantes. "Então era ele quem estava fazendo aquela música tão agradável", pensou a menina.



Ela não conseguia entender o que o homenzinho falava, porque ele falava muito rápido e algumas palavras eram muito diferentes das que ela estava acostumada a ouvir, mas quando finalmente entendeu o que ele queria, ele estava pedindo para ela voltar para casa pois se ela demorasse muito, logo escureceria e ela ficaria perdida. 



Mas antes de ir embora ela deveria fazer mais uma daquelas lindas bolhas, pois não eram todos os dias que ele as tinha por perto de casa e bolha de sabão era algo que o agradava muito.



Então quando a última bolha de sabão estourou na ponta do nariz da menina, em um passe de mágica, ela estava no jardim de casa outra vez. A menina nunca contou sobre o homenzinho para ninguém, pois sabia que ninguém acreditaria nela, mas a sua feição gentil e a sua música alegre ficaram na memória da menina para sempre.



sexta-feira, 7 de março de 2014

Sempre em frente!




O mundo faz várias pegadinhas para nos testar, para ver até que ponto somos capazes de lutar pelo que queremos, e muitas vezes realmente é muito difícil. Mas se não fosse assim, qual seria o prazer de narrar nossas vidas mais tarde? A caminhada pode ser longa, mas quando alcançarmos  a chegada, vai ser apenas por mérito dos nossos próprios pés.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Meu amor pela Irlanda

Quando eu estava descobrindo meus gostos musicais, eu vivia em uma realidade de quanto mais bandas diferentes/desconhecidas eu gostava, mais cool eu era (dentro da minha cabeça, óbvio) e nessas buscas por bandas diferentes, um belo dia caiu nas minhas mãos o álbum chamado Tingaralatingadun do Tuatha de Danann. As músicas me agradaram tanto que fui procurar tudo a respeito da banda. Para começar, fui procurar saber sobre o nome diferente, que significa "o povo da deusa Danu" na mitologia céltica. Pesquisando mais sobre o conjunto de povos chamado celtas, descobri que uma das regiões que eles habitaram lá na Europa da Idade do Ferro, era a Irlanda. E todo esse blábláblá para dizer que foi aí que me apaixonei por esse lugar que nunca estive, mas me parece tão familiar. Desde então, tudo relacionado à esse lindo país me interessa muito: a música (tradicional e atual), a mitologia muito rica e encantadora, as lindas e verdes paisagens e principalmente a magia que penso deve pairar sobre lá  desde o tempo dos druidas até hoje. 

Voltando à banda Tuatha de Danann, esqueci de mencionar que eles são brasileiros, e tive a oportunidade de conhecê-los em um show que fizeram em Curitiba já há alguns anos. São mineiros super simpáticos de Varginha e foi muito legal mesmo conhecê-los.

Enquanto escrevi esse texto, ouvi essa apresentação acústica deles aqui.

Por fim, um leprechaun raivoso num muro de alguma rua de Curitiba:

E alguém aí também tem esse amor por um lugar que ainda não conheceu? Que lugar é esse?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Apenas um momento


                     
Atrapalhada como sempre, saiu de casa correndo porque estava atrasada. Por um segundo, não se chocou de frente com ele entrando pela porta do prédio.

Naquele momento o tempo parou e ela só conseguiu ficar olhando nos olhos dele como se nada mais existisse no mundo. Isso pareceu levar uma eternidade, mas foram apenas alguns segundos que custaram para chegar finalmente na rua.

"Eu conheço você". Era o que teria dito, não fosse sempre tão presa ao costume de pensar mil vezes antes de tomar qualquer atitude. Então não disse. E o dia passou com a repetição sem fim daquele quase acontecimento.

Foto: We heart it


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

waiting for the sun

Hoje acordei  como se não estivesse vivendo minha própria vida. Mais uma daquelas situações em que tenho a sensação de viver um personagem de um livro e que a qualquer momento vai acontecer algo incrível que vai mudar meu destino para sempre de uma ótima forma... E quando isso acontecer, vou perceber que sou um personagem não de um livro qualquer, mas sim, da Minha História.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Se não der certo, viro hippie

Quando eu era mais nova meu sonho era ser uma rock star. Ouvia rock’n’roll e heavy metal o dia inteiro. Voltava da escola e ficava horas tentando tocar “master of puppets” do Metallica na guitarra – nunca consegui tocar inteira. Até que o final do ensino médio começou a se aproximar e a temível dúvida do que fazer na vida começou a aparecer. Vou ser musicista, lógico!  Aí vinham os coleguinhas e diziam que música não dava dinheiro pra ninguém, se você quisesse ser alguém na vida teria que encontrar uma profissão. “Vou tocar numa banda nem que seja em troca de um prato de comida!”, era o que eu costumava responder.  Ah, o fervor da adolescência...  

Mas no fundo do coração sempre tinha aquela frase mágica, que tornava a ideia do futuro então sombria e desconhecida muito mais fácil e encorajadora: Se nada der certo, viro hippie!

Somente hoje consigo ver que o "dar certo" é algo relativo, aos olhos de quem eu fui há alguns anos, de quem sou hoje, das pessoas à minha volta, ao que a sociedade em geral entende em "dar certo"... Não há fórmulas para nos transformar naquilo que sonhamos para nós mesmos daqui há cinco, dez anos no futuro. Entendi que a cada fase da vida sou uma pessoa diferente e o mais importante é perceber o que eu quero em cada uma dessas fases. Isso é o mais difícil. Descobrindo quem eu sou e o que eu quero, aí sim posso arregaçar as mangas e partir para luta. Porque somente eu vivo minha vida, ninguém mais pode saber o que é melhor para mim.

Ah, e eu não desisti da música, apenas não quero mais tocar em troca de comida.

Foto por Cecília Nogarotto

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Olá!

Finalmente resolvi criar um cantinho meu para compartilhar tudo o que eu gosto: fotos, música, livros, artesanato e tudo o que me faz sentir o coração aquecer.
Pretendo vir todos os dias aqui, para que os momentos mágicos do dia tornem a vida mais leve e os problemas passem a ser meros detalhes...
Bem, espero que eu possa contar com sua companhia e que bons ventos nos levem por esse Doce Lalande.

Caminho para casa